Vastidão de Séth
Vastidão de Séth
Muito antes do Universo IS e o planeta Asdem conhecerem os primeiros impérios, muito antes de qualquer mortal erguer muralhas, templos ou pirâmides, já existia um reino cuja história quase desapareceu completamente das memórias do mundo. Afinal, sua origem remonta a Terra. Chamava-se Vastidão de Séth. Sua origem remonta aos tempos mais antigos de que se tem notícia, muitos milhares de anos antes da chegada de Arut, Ranab e Arnat ao mundo dos mortais em Asdem.
Os registros sobreviventes falam do surgimento de Séth, Osíris e Anúbis, da criação de Nefesh pelo próprio Séth através do ocultismo e do nascimento da geração seguinte de deuses, entre eles Arut, Ranab, Arnat, Adarun, Uurati e Naga. Esses acontecimentos antecedem uma das maiores catástrofes já enfrentadas pelas Forças Universais: a Guerra das Primícias. Foi nesse conflito que Nefesh salvou os filhos de Séth, preservando a linhagem que mais tarde atravessaria os mundos e mudaria para sempre a história de Asdem.
Grande parte do que hoje se sabe sobre esse período não foi preservada por tratados ou crônicas oficiais, mas pelas lembranças daqueles que sobreviveram. Entre esses testemunhos, nenhum é tão importante quanto o de Adarun. Enquanto foge carregando nos braços o pequeno Amonsehat, ela recorda acontecimentos que pertencem a um tempo quase inacessível. Conta que, ainda muito jovem, precisou fugir da Noite e de outras Forças Universais que ameaçavam sua existência. Foi Nefesh quem abriu o caminho da fuga. Foi Séth quem protegeu sua família e garantiu que o conhecimento dos astros não desaparecesse juntamente com seu povo. Naquele mesmo relato, Adarun revela que, durante a Guerra das Primícias, um dos três Sóis e uma das luas quase foram destruídos. O universo esteve à beira do colapso, e apenas uma sucessão de acontecimentos extraordinários impediu que a criação fosse consumida antes mesmo de amadurecer. É também nesse momento que ela revela o destino reservado ao filho que ainda segura nos braços: Amonsehat não nasceu apenas para viver entre os homens. Nasceu para unificar novamente aquilo que havia sido separado, e seu povo aguardava sua chegada muito antes de sua própria encarnação.
Séth deu aos Celestes do Universo IS o maior dom: o poder de controlar os três Sóis. Ele deixou o quarto Sol para aquecer a Terra.
O próprio Séth confirma essa interpretação muitos anos depois. Quando Amonsehat inicia a restauração do terceiro Sol, Séth afirma a Nefesh que aquele sempre fora um dos destinos do Primogênito. A restauração não representa apenas uma grande obra de poder; representa o cumprimento de uma promessa feita ainda nos dias da Guerra das Primícias. É então que compreendemos a verdadeira dimensão daquele antigo conflito. Séth enfrentou praticamente sozinho as demais Forças Universais para impedir que os três Sóis fossem destruídos e que toda a vida desaparecesse juntamente com eles. Também é nesse contexto que se revela a origem singular de Nefesh. Ele não nasceu como os demais. Foi criado pelo ocultismo de Séth, moldado a partir do pó das estrelas para tornar-se seu filho, seu discípulo e o primeiro grande defensor da Vastidão.
As lembranças de Ranab ampliam ainda mais esse quadro. A Guerra das Primícias jamais foi apenas uma disputa entre deuses. Tratou-se de um confronto capaz de alterar o próprio equilíbrio da existência. Ranab relata ser muito pequeno quando Séth lutou contra as Forças Universais do Vazio e da Morte. Em resposta, Séth abriu deliberadamente as proteções de seu reino para atrair ao conflito a Vida e o Equilíbrio. Nenhuma estratégia parecia suficiente até que um elemento absolutamente inesperado entrou em cena: a Fênix. Convocada através do ocultismo de Séth, sua presença alterou o rumo da guerra. O preço, entretanto, foi devastador. Quando o conflito terminou, praticamente todas as Forças Universais encontravam-se gravemente feridas, mergulhando por longos períodos em um estado de hibernação que mudaria profundamente a história dos mundos.
Milhares de anos transcorreram até que a história da Vastidão encontrasse novamente o destino dos mortais. Foi então que Arut e Adarun chegaram a Asdem. Na pequena Vila de Vib iniciaram uma nova etapa da história. Casaram-se, unificaram tribos humanas, lançaram as bases da Primeira Dinastia e deram início à construção das grandes pirâmides que marcariam para sempre a paisagem do continente. Nesse mesmo período nasceu Amonsehat. Contudo, o nascimento do Primogênito trouxe consigo uma antiga profecia que alterou completamente o rumo daquela família. O menino destinado a restaurar o equilíbrio tornou-se também o centro de uma ruptura que separaria Arut e Adarun, inaugurando uma das perseguições mais importantes da história da Vastidão.
É nesse momento que a narrativa deixa de falar apenas de deuses e passa a acompanhar uma mãe fugindo com o próprio filho. Adarun vive escondida, atravessando terras desconhecidas para impedir que Amonsehat seja encontrado. Em suas palavras, Arut deixa de ser chamado pelo próprio nome e transforma-se apenas em "aquele que nos persegue". Ainda assim, mesmo cercada pelo medo, ela jamais abandona a convicção de que as estrelas anunciaram corretamente o destino do menino. Amonsehat retornará para restaurar a Vastidão de Séth. Essa certeza atravessa toda a sua fuga e torna-se o elo entre a antiga Guerra das Primícias e os acontecimentos que, muitos séculos depois, transformarão o Primogênito do Sol em uma das figuras mais decisivas da história de Asdem.
Panteão ao longo das Eras
Deus Maior
Rá
Deuses da Primeira Geração
Séth
Hórus
Sekmet
Thót
Osiris
Isha
Amon
Anúbis
Deuses da Segunda Geração
Arut
Ranab
Arnat
Adarun
Herya
Naga
Uurati
Ackaahan (filho de Anubis que cairam no abismo)
Tfertapt (filho de Anubis que cairam no abismo)
Nefesh
Deuses da Terceira Geração
Amonsehat
Kephri
Faharum
Aaterarh
Meneket
Ahafari
Deuses da Quarta Geração
Kismet
Azzibo
Idunnyn
Aksaban
Panteão formado hoje
Séth
Kismet
Idunnyn
Uurati
Um comentário sobre as Deusas e Deuses do Panteão
Arut
Arut é um dos filhos de Séth, pertencente à segunda geração do panteão. Nasce antes da Guerra das Primícias e, muitos milênios depois, chega a Asdem ao lado de Adarun. Os dois se casam na Vila de Vib, unem tribos humanas, iniciam a construção das pirâmides e fundam a Primeira Dinastia, tornando Arut o primeiro governante desse novo período histórico.
Além de governante, Arut é apresentado como o grande herdeiro do conhecimento do Ocultismo. O romance afirma que essa tradição começou com Séth, passou para Arut ainda no Plano Divino e, posteriormente, foi transmitida por ele a Amonsehat.
Sua história sofre uma ruptura com o nascimento de Amonsehat. A Profecia do Primeiro Filho provoca a separação entre Arut e Adarun. Temendo o destino anunciado pela profecia, Arut ordena a morte do próprio filho recém-nascido. Contudo, não consegue executar a criança com as próprias mãos e deixa a ordem para seus guardas. Azzibo se recusa a cumprir o comando, ajuda Adarun a fugir pelos túneis secretos do palácio e salva Amonsehat.
Posteriormente, Arut torna-se fundador do Império de Arut e figura central da religião e da política da Vastidão. Em diferentes momentos da cronologia interfere diretamente na história de Asdem, inclusive retirando sua proteção sobre determinados povos, o que altera profundamente a organização política do continente.
Ranab
Ranab também é filho de Séth e irmão de Arut e Arnat. Seu nascimento ocorre durante o período da Guerra das Primícias.
Os relatos preservados mostram que Ranab participou diretamente daquele conflito, chegando a atacar o reino de Séth ao lado do Vazio e da Morte. Em resposta, Séth abriu as proteções de seu reino e convocou a Vida, o Equilíbrio e, por fim, a própria Fênix através do ocultismo. O resultado foi uma guerra tão devastadora que praticamente todas as Forças Universais permaneceram em estado de hibernação durante longo período. Essa narrativa mostra Ranab como uma personagem ativa na maior guerra da história do panteão.
Em Asdem, Ranab torna-se o deus patrono do Império de Ranab. Sua capital é Kamash, marcada pelos templos dedicados a Ranab, Hérya, Nefesh, Aaterah e Uurati. O antigo templo de Séth permanece abandonado, mas a gigantesca estátua de Séth ao lado de seus filhos Arut, Ranab e Arnat continua dominando a paisagem da cidade.
Os acontecimentos recentes do romance revelam ainda que Ranab acaba sendo tomado pela influência da Noite, fato percebido por Nefesh e mencionado por Aaterath durante os acontecimentos de O Primogênito do Sol.
Arnat
Arnat é apresentada como irmã de Arut e Ranab, também pertencente à segunda geração do panteão e nascida durante a Guerra das Primícias.
Embora apareça menos do que os irmãos na narrativa principal, Arnat é uma das divindades fundadoras da tradição da Vastidão de Séth e seu nome permanece associado ao Império de Arnat. O material disponível descreve esse império como uma terra desértica marcada pelos rituais da mumificação sagrada, pela possibilidade de retorno temporário dos guerreiros mortos ao campo de batalha e pelo Governo dos Cem, responsável pela administração política do reino.
Durante os acontecimentos ligados à restauração do terceiro Sol por Amonsehat, o romance mostra que as cidades de Arut, Arnat e Ranab interrompem simultaneamente suas atividades diante do acontecimento, indicando que os três reinos compartilham uma tradição religiosa comum centrada na linhagem de Séth e na figura do Primogênito do Sol.