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Hartari Ordem: mudanças entre as edições

De IS Impérios Sagrados
Criou página com '= A Força = == PARTE I — O Espírito e a Vida == === A história que permanece === Foi iniciada a nova caminhada dos Hartaris sobre a Terra. Uma caminhada que se inicia em um tempo de escuridão e trevas. Um tempo em que somos perseguidos e executados pelos Duldron’s e por aqueles que estão ao serviço da escuridão e das trevas. Meu nome é Korlyng Handel’t II, filho da luz, escolhido por muitos para portar o dogma que cria vida e dissipa as trevas. Trazer a l...'
 
Sem resumo de edição
 
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= A Força =
= História da Ordem Hartari =


== PARTE I — O Espírito e a Vida ==
= A Origem =
A história da Ordem Hartari começou muito antes de Korlyng Handel’t II assumir a responsabilidade por sua reconstrução. Fundada por Valium Ardash I, a antiga Ordem nasceu da compreensão de que a Força não era propriedade dos deuses, dos reis ou de qualquer povo, mas uma manifestação da própria vida, presente na natureza, no espírito e no Cosmos. Os primeiros Hartari reconheceram que determinados seres nasciam capazes de perceber essa presença e desenvolvê-la, estabelecendo uma tradição de aprendizado transmitida entre mestres e discípulos ao longo das gerações.


=== A história que permanece ===
Durante séculos, a Ordem reuniu conhecimentos sobre a Força, suas manifestações e sua relação com a existência. Seus mestres compreenderam que a vida não poderia ser reduzida à oposição entre poder e fraqueza, tampouco que o equilíbrio significasse a ausência de conflitos. Entretanto, a própria instituição acabou se afastando de parte de seus fundamentos. O isolamento, a concentração do conhecimento e o fechamento progressivo em suas tradições contribuíram para uma corrupção interna que comprometeu sua capacidade de reconhecer as transformações do mundo. Sua queda, registrada no ano 02 d.M., não representou apenas uma derrota diante de seus inimigos, mas também o esgotamento de uma organização que havia perdido parte de sua capacidade de se renovar.
Foi iniciada a nova caminhada dos Hartaris sobre a Terra. Uma caminhada que se inicia em um tempo de escuridão e trevas. Um tempo em que somos perseguidos e executados pelos Duldron’s e por aqueles que estão ao serviço da escuridão e das trevas. Meu nome é Korlyng Handel’t II, filho da luz, escolhido por muitos para portar o dogma que cria vida e dissipa as trevas. Trazer a luz não é um simples ato de bondade, mas sim algo que nos faz sair de nós mesmos e irmos cada vez mais em direção daquilo que é bom e belo para a vida como um todo. Agradeço aqui ao Imperador James Relsin’d II que não só ajudou financeiramente, como espiritualmente ao acreditar em mim.


Aqui não irei retomar a estória dos Hartaris e nem olhar para o passado para comparar ou mesmo buscar respostas. Pois as respostas estão em mim, as respostas estão comigo e formam uma unidade em meu ser, em meu espírito que é a mais preciosa arma que um Hartari possui, pois sem nosso espírito as coisas que fazemos não poderiam ser feitas. Irei explicar como é, como deve ser e qual a função dos Hartaris em um mundo em que as trevas estão constantemente ameaçando a luz.
Antes de sua destruição, mais de cem Mestres Hartari reuniram sua sabedoria e suas manifestações da Força, transmitindo-as ao pai de Korlyng Handel’t II, que posteriormente as legou ao próprio filho. A antiga Ordem desapareceu como instituição, mas sua herança espiritual permaneceu. Essa transmissão permitiria, muito tempo depois, que a história dos Hartari não terminasse com a morte de seus mestres.


Foi Valium Ardash I que fundou a antiga Ordem dos Hartaris e sua queda, no ano 02 d.M em Asdem, demonstrou que ela se tornara talvez não obsoleta, mas ao menos corrompida devido ao fechamento em si mesma. Mais de 100 Mestres Hartaris passaram para meu pai passar para seu filho, no caso eu, o Dogma reunido de todos eles, o espírito de todos eles quando viram que o fim era iminente. Eles sabiam que tudo se torna possível através do Dogma e que é na própria vida em que encontramos o renascimento de tudo.
Foi dessa herança que nasceu a nova caminhada.<blockquote>“Meu nome é Korlyng Handel’t II, filho da luz, escolhido por muitos para portar a Força que cria vida e dissipa as trevas. Trazer a luz não é um simples ato de bondade, mas algo que nos faz sair de nós mesmos e caminhar em direção àquilo que é bom e belo para a vida.”


A história que permanece é essa: a do renascer. No passado, essa incontável fonte de sabedoria está à importância do que foi a antiga Ordem dos Hartaris. Porém é agora, no presente, mirando para o futuro que iremos encontrar o sentido do que queremos que os Hartaris venham a se tornar. É a partir de agora, comigo, que iremos delinear o que queremos ao treinar e sagrar novos Hartaris. E muito se engana quem pensa que é para evitar guerras, para lutar contra Duldron’s ou mesmo para ter uma vida santa ou justa. Não. Isso foi no passado, agora tudo deve ter um novo sentido.
Korlyng Handel’t II, em seus registros sobre a reconstrução da Ordem.</blockquote>Não pretendo reconstruir a Ordem Hartari para que ela volte a ser aquilo que foi. Se esse fosse meu propósito, bastaria repetir os ensinamentos antigos, erguer os mesmos templos e esperar que os mesmos erros produzissem consequências diferentes. Não sou tão ingênuo. Recebi a herança de mais de cem mestres, suas experiências, suas convicções e parte de seus espíritos. Carrego comigo aquilo que sobreviverá a muitas gerações, mas também reconheço o peso de seus fracassos. A antiga Ordem possuía sabedoria, certamente, mas a sabedoria que se fecha em si mesma acaba se tornando incapaz de reconhecer a própria ignorância. Não permitirei que isso aconteça novamente.


“Hoje o Dogma flui tão forte dentro em mim que todo Hartari já desde criança é impelido a ir onde eu estiver. E se algum Hartari está próximo a alguém que porta o Dogma, eu consigo sentir através dele e guiá-los para perto um do outro”.
Agradeço ao imperador James Relsin’d II, que acreditou em mim quando reconstruir os Hartari parecia uma tarefa impossível. Seu apoio financeiro e espiritual permitiu que essa caminhada encontrasse condições para continuar. Entretanto, não quero que nossos futuros discípulos pensem que a Ordem existe apenas para enfrentar Kalien, combater os Duldrons ou impedir novas guerras. Tudo isso poderá ser necessário, mas não é suficiente para justificar nossa existência. Somos Hartari porque escolhemos desenvolver aquilo que existe de melhor em nós. Se perdermos essa compreensão, poderemos vencer todas as guerras e, ainda assim, fracassar naquilo que realmente importa.


Trecho extraído do Livro: Diários de Um Menino, que escrevo todo dia em razão de minha primeira essência ser zauriana, fazendo parte de uma tradição. O Dogma, quando flui sem as amarras causadas pelo vazio, pelo ódio e por outros sentimentos que podem levar ao Poder faz com que todo o nosso ser esteja voltado para a Luz. E é somente quem consegue ter a bondade que a luz traz que possui a característica de, seja onde estiver, chamar os escolhidos pelo Dogma para si.
=== O Código Hartari ===
A Força não é um livro de mandamentos. Não é uma lei escrita em pedra, tampouco uma autoridade diante da qual devemos abandonar nossa consciência. Ela existe antes de nós e continuará existindo depois. Está na natureza, nos seres, naquilo que nasce e naquilo que desaparece. Nós a sentimos, aprendemos a utilizá-la e, em determinadas circunstâncias, conseguimos ampliá-la. Mas não somos seus proprietários. Um Hartari que acredita possuir a Força como possui seu sabre já começou a compreender tudo de maneira equivocada.


== PARTE II — O Dogma dos Hartaris ==
Os antigos mestres preservaram três fundamentos que considero indispensáveis à nossa existência:


=== A união de todos os seres ===
# Equilíbrio: reconhecer nossas emoções, nossos desejos e nossos temores sem permitir que uma única disposição governe todas as nossas escolhas. Não se trata de eliminar a raiva ou desconhecer a tristeza, mas de compreender aquilo que sentimos e agir com justa medida.
O Dogma é o coração da Ordem Hartari. Ele não é apenas um conjunto de preceitos ou mandamentos rígidos, mas sim o fio invisível que conecta cada Hartari à vida e à criação. É a união de todos os seres em um só espírito, a lembrança de que nada existe isolado e de que tudo está imerso no mesmo sopro de luz.
# Sacrifício: aceitar que preservar a vida pode exigir a disposição de arriscar a própria existência. Não procuramos a morte nem transformamos o sofrimento em virtude. Entretanto, existem momentos em que proteger alguém significa colocar-se diante daquilo que poderia destruí-lo.
# Legado: compreender que nossas ações não terminam conosco. Cada conhecimento transmitido, cada vida preservada e cada decisão tomada alcançam pessoas que talvez jamais conheceremos. Não lutamos apenas por aqueles que vivem hoje, mas também por aqueles que ainda nascerão.


Diferente do que muitos acreditam, o Dogma não é uma prisão, mas uma libertação. Ele não obriga, ele guia. Não impõe, mas ilumina. O Dogma é como o rio que não precisa ser forçado a correr — ele simplesmente flui, porque é de sua natureza fazê-lo.
Esses princípios não podem ser impostos pela ameaça de punição. Sempre desconfiei de quem afirma ser bom apenas porque teme o julgamento de alguma divindade. Se a bondade depende exclusivamente do medo, o que acontecerá quando esse medo desaparecer? Um Hartari deve ser capaz de reconhecer o valor de suas ações mesmo quando ninguém está observando. Ao final de cada dia, precisamos conviver com aquilo que fizemos. E não conheço julgamento mais difícil do que aquele do qual não podemos nos afastar.


É nesse fluir que um Hartari encontra a verdadeira força. Não na fúria da guerra, não no peso da arma, mas na serenidade de estar unido ao todo. A lâmina de um Hartari não corta porque é afiada, mas porque é conduzida pelo sopro do Dogma.
O Juramento de Valium permanece como uma referência fundamental de nossa tradição. Não desejo que seja repetido como uma sequência de palavras vazias, mas compreendido em sua responsabilidade. Um juramento não torna alguém justo. São as escolhas posteriores que demonstram se aquelas palavras realmente encontraram lugar em seu espírito.


O Dogma também guarda em si um segredo: ele pode ser transmitido. De mestre a aprendiz, de pai a filho, de espírito a espírito. Quando um Hartari morre, não leva consigo sua sabedoria, mas a entrega ao Dogma, para que outro possa beber dela. Assim, mais de cem mestres vivem em mim, em meu espírito, e em cada gesto meu eles continuam a respirar.
=== Ritos e Práticas ===
Não tomamos crianças de suas famílias. Não marcamos corpos para demonstrar autoridade. Não acreditamos que a dor, por si mesma, produza sabedoria. A Força se manifesta em cada indivíduo de maneira particular, e nosso primeiro dever é reconhecer essa singularidade. Ninguém deve ser obrigado a desenvolver aquilo que ainda não deseja compreender.


Mas há um risco. Pois o Dogma também pode ser corrompido. Quando alguém deixa que o vazio, o ódio, a vingança ou a sede de poder sejam maiores que a serenidade da luz, o Dogma se contorce. A força que deveria curar, passa a ferir; o sopro que deveria guiar, passa a dominar. Foi isso que aconteceu com os Duldron’s. Eles eram filhos do mesmo sopro, mas decidiram abraçar a sombra.
A formação Hartari preserva práticas destinadas ao amadurecimento espiritual e ao desenvolvimento das capacidades de seus integrantes:


É por isso que a nova Ordem Hartari não pode se fechar em si mesma como no passado. O Dogma não é propriedade de poucos escolhidos. Ele deve se espalhar como o vento, tocar todos os corações dispostos, alcançar até aqueles que não sabem seu nome.
* Rito do Espelho da Força: o jovem é conduzido ao templo e colocado diante de um sabre cristalino. Quando a lâmina manifesta seu brilho, reconhecemos que existe disposição para iniciar o aprendizado. Caso permaneça silenciosa, o jovem retorna à sua vida. Não há vergonha nisso. A Força não obedece à nossa impaciência.
* Rito da Luz e da Sombra: durante sete noites, o iniciado permanece em silêncio, alternando entre cavernas escuras e pátios iluminados pelo luar. Aprende que não podemos compreender a luz fingindo que a sombra não existe. Na última noite, o sabre é colocado junto ao seu peito, marcando a prova de sua disposição para prosseguir.
* Combate em Harmonia: ensinamos que ataque e defesa não são conhecimentos separados. Um sabre deve responder à necessidade de quem o empunha, mas sua utilização exige disciplina, percepção e responsabilidade.
* Fluxo da Força: por meio da respiração, da concentração e da meditação, aprendemos a reconhecer a energia que atravessa nosso corpo e o mundo.
* Compaixão da Luta: aquele que aprende a ferir também deve compreender a responsabilidade de restaurar. Por isso, nossos discípulos exercitam a cura e o cuidado daqueles com quem treinam.
* Meditação no Círculo: buscamos perceber a presença da Força na natureza, reconhecendo seus ecos nas pedras, nas raízes, na água e nos demais seres.
* Duelo da Harmonia: o discípulo enfrenta um reflexo de si mesmo invocado pela Força. Não deve destruí-lo, mas compreender aquilo que o reflexo representa e integrá-lo à própria consciência.


“Um Hartari não é medido pela sua lâmina, mas pela sua compaixão. Pois é a compaixão que sustenta a força, e não o contrário.”
A disciplina é necessária. O sofrimento, entretanto, não pode ser confundido com aprendizado. Conheci guerreiros capazes de suportar ferimentos terríveis que não conseguiam enfrentar uma única lembrança de sua infância. Também conheci pessoas sem qualquer experiência militar que demonstraram uma coragem diante da vida que muitos generais jamais compreenderiam. É por isso que não avalio um Hartari apenas pela força de seus braços ou pela velocidade de seu sabre.


== PARTE III — O Caminho da Luz ==
=== Singularidade ===
A Força se manifesta em nós, mas não começa nem termina em nossa existência. Essa compreensão determina a maneira como formamos nossos discípulos e preservamos nossa tradição.


=== A senda da verdade interior ===
* A Centelha da Força: nascemos com a possibilidade de reconhecê-la, mas nem todos despertam para seu desenvolvimento. Algumas pessoas podem atravessar uma vida inteira sem desejar seguir esse caminho. Respeitar essa escolha é parte de nossa responsabilidade.
O Caminho da Luz não é uma estrada visível, não está marcado em mapas, nem se conquista por rituais ou títulos. Ele nasce dentro de cada Hartari, como um fogo silencioso que cresce à medida que o espírito se purifica no Dogma.
* A União dos Seres: a Força nos permite reconhecer que a vida não existe isoladamente. Aquilo que fazemos produz consequências que ultrapassam nossa própria existência.
* A Transmissão Espiritual: a experiência de um mestre não precisa desaparecer com sua morte. Conhecimentos e manifestações da Força podem ser transmitidos entre gerações. Carrego comigo a herança de mais de cem mestres e sei que essa continuidade não pode ser reduzida à preservação de livros.
* Os Sabres Hartari: cada sabre representa uma extensão do espírito de quem o empunha. As lâminas azuis estão associadas ao equilíbrio, as douradas à sabedoria e as brancas à pureza alcançada. A corrupção da Força pode alterar sua manifestação, fazendo surgir tonalidades escarlates ou mesmo extinguindo seu brilho.
* O Vínculo Espiritual: consigo reconhecer a presença da Força em outros Hartari e, por meio desse vínculo, orientar aqueles que ainda procuram seu caminho. Quando um portador se aproxima de outro, posso perceber essa ligação e ajudá-los a se encontrar.
* A Corrupção da Força: nenhum Hartari está inteiramente protegido contra o ódio, a vingança ou a sede de poder. A Força pode ser utilizada para ferir e dominar. Por isso, nossa formação deve alcançar também aquilo que pensamos, sentimos e desejamos.


Esse caminho não é feito de passos, mas de escolhas. Cada decisão, cada renúncia, cada gesto molda a luz que arde dentro de nós. Não é um caminho fácil. Exige sacrifício, pois caminhar na luz é recusar a sedução da sombra, mesmo quando ela promete atalhos rápidos e vitórias fáceis.
=== A Guerra contra os Duldrons ===
A guerra contra os Duldrons não começou comigo, e seria absurdo acreditar que terminará simplesmente porque consegui reunir novamente os Hartari. A antiga Ordem enfrentou Kalien e seus seguidores durante um conflito que atravessou gerações e destruiu grande parte de nossa tradição. Muitos mestres morreram. Outros desapareceram. Sabres foram escondidos, conhecimentos se perderam e o próprio nome Hartari deixou de ser lembrado em diferentes regiões de Asdem.


O Caminho da Luz exige disciplina. Não basta empunhar um sabre; é preciso aprender a calar o coração em meio à tempestade, ouvir a voz do sopro no silêncio mais profundo, e reconhecer que a verdadeira vitória nunca é sobre o inimigo, mas sobre a própria escuridão.
Entretanto, não acredito que nossa existência possa ser definida exclusivamente por essa guerra. Os Duldrons fizeram da força e da dominação os fundamentos de sua filosofia. Nós precisamos demonstrar que a Força também pode preservar, restaurar e permitir que diferentes seres encontrem seu próprio caminho. Não se trata de negar o combate. Sei perfeitamente que algumas ameaças não serão interrompidas por palavras. Mas uma Ordem que só encontra sentido quando possui um inimigo corre o risco de se tornar incapaz de viver sem ele.


Os antigos mestres diziam:
Kalien deverá ser enfrentado. Seus generais também. Não ignoro o que fizeram aos nossos povos, tampouco aquilo que continuam fazendo. Contudo, quero que os Hartari compreendam que derrotar um Duldron não significa necessariamente vencer aquilo que o tornou perigoso. A vitória que procuro não será medida apenas pelos inimigos mortos, mas pela possibilidade de reconstruirmos um mundo no qual a vida não precise permanecer submetida à vontade dos mais poderosos.


“Um Hartari pode ser derrotado mil vezes no corpo, mas nunca na alma. Pois enquanto o Caminho da Luz permanecer aceso, a Ordem nunca cairá.”
= O Treinamento Hartari =


Assim, o Caminho é também resistência. É o testemunho de que, mesmo diante do domínio dos Duldrons, mesmo com Kalien e Koriban erguendo impérios de ferro, a chama não foi extinta. Eu sou essa chama, e cada discípulo que desperta para o Dogma se torna um clarão novo, incendiando o horizonte.
=== 1. A Escolha: O Chamado da Centelha ===
Não se torna Hartari simplesmente porque alguém deseja receber um título. Nasce-se com a Força, mas aprende-se a ser Hartari. Essa distinção é fundamental. Não podemos produzir a centelha em alguém que não a possui, tampouco obrigar uma pessoa a desenvolvê-la apenas porque reconhecemos seu potencial.


Mas a senda da luz é também revelação. À medida que avançamos, a verdade se desvela: compreendemos que não há separação entre vida e morte, entre mestre e aprendiz, entre passado e futuro. Tudo é um círculo, e cada Hartari é ao mesmo tempo começo e continuação.
O treinamento deve começar quando o próprio indivíduo manifesta vontade de aprender. Naturalmente, quanto mais cedo se inicia a formação, maiores podem ser as oportunidades de desenvolvimento. Entretanto, cada pessoa possui seu tempo. Algumas despertam ainda na infância. Outras precisam atravessar experiências que somente a vida poderá oferecer. E existem aquelas que jamais desejarão seguir nossa caminhada. Não cabe à Ordem puni-las por isso.


Por isso, o Caminho da Luz não termina. Ele é eterno, assim como o sopro que sustenta todos os mundos.
O Templo Hartari de Nemland, localizado na Terra Proibida, é um dos lugares destinados ao encontro e ao aperfeiçoamento daqueles que procuram desenvolver a Arte Hartari. Considero importante utilizar essa expressão: arte. Como toda arte, exige disposição, vocação, disciplina e aprendizado. Não basta conhecer seus instrumentos. É necessário compreender aquilo que desejamos realizar com eles.


== PARTE IV — Os Sabres da Ordem ==
O primeiro reconhecimento ocorre durante o Rito do Espelho da Força. Diante de um sabre cristalino, o jovem procura reconhecer a manifestação de sua centelha. Quando a lâmina brilha, inicia-se a possibilidade de sua formação. Quando permanece silenciosa, respeitamos o momento daquele indivíduo. Não devemos transformar o chamado da Força em uma obrigação.


=== Lâminas do Espírito ===
=== 2. O Rito da Luz e da Sombra: A Iniciação ===
Um sabre Hartari nunca é apenas uma arma. Ele é o reflexo da alma daquele que o empunha. Forjado na disciplina e temperado pelo Dogma, cada sabre nasce como extensão do espírito, como se fosse uma centelha do sopro transformada em luz palpável.
Durante sete noites, o iniciado permanece em silêncio. Parte desse período é vivida em cavernas escuras; outra parte, em pátios abertos ao luar. O objetivo não é assustá-lo, mas permitir que reconheça aquilo que sente quando as distrações desaparecem.


Dizem os registros mais antigos que o primeiro sabre foi erguido quando um mestre concentrou o Dogma em sua mão, e a chama não se dissipou, mas se solidificou em lâmina. Desde então, cada sabre é singular: nenhum brilha com a mesma intensidade, nenhum canta no ar da mesma maneira.
É relativamente fácil demonstrar coragem quando estamos cercados de companheiros. Mais difícil é permanecer diante de nossos próprios pensamentos sem procurar fugir deles. A escuridão não deve ser tratada como uma inimiga que precisamos destruir. Precisamos compreender aquilo que ela desperta em nós.


Portar um sabre não é um direito, mas um chamado. Não há Hartari sem seu sabre, e não há sabre sem Hartari. Quem o segura sem ter sido escolhido pelo Dogma sente apenas peso e silêncio. Mas para o iniciado, o sabre pulsa, vibra, responde aos pensamentos e sentimentos mais íntimos.
Na última noite, o sabre é colocado junto ao peito do iniciado. A firmeza diante dessa experiência demonstra sua disposição para continuar. Aqueles que ainda não estão preparados podem retornar à vida comum. Não considero isso uma derrota. Seria muito mais perigoso permitir que alguém avançasse apenas para satisfazer a expectativa de um mestre.


As cores das lâminas revelam verdades que não podem ser escondidas. Um sabre azul fala de equilíbrio; um dourado, de sabedoria; um branco, de pureza alcançada. Mas quando a luz se corrompe, a lâmina sangra em tons de escarlate ou se apaga em trevas. Assim, o sabre é também um juiz silencioso, denunciando a queda ou confirmando a ascensão do Hartari.
Quando conclui o rito, o iniciado pode ser reconhecido como Discípulo da Lâmina, começando sua formação prática e espiritual.


Mas não é o corte que o torna sagrado. É o juramento. Todo Hartari que ergue seu sabre o faz não para dominar, mas para proteger. Não para destruir, mas para restaurar a ordem que o Dogma guarda desde o início dos tempos.
=== 3. O Treinamento dos Discípulos ===
O aprendizado da Força não ocorre apenas pelos olhos. Aprendemos por todos os sentidos, por aquilo que percebemos no corpo e pelo que reconhecemos em nossa relação com o mundo. A Força flui dentro de nós, mas não nos pertence. Faz parte do Cosmos e da natureza, e é justamente por isso que suas possibilidades ultrapassam aquilo que conseguimos compreender individualmente.


Ainda que a Ordem tenha sido esmagada há milênios pelos Duldrons, e Kalien tenha se erguido como sombra triunfante, os sabres não foram esquecidos. Muitos jazem escondidos em criptas, selados por magias ancestrais, esperando a mão digna que os desperte. Outros brilham em silêncio, ocultos em reinos que já esqueceram o nome Hartari, mas que ainda guardam sua chama.
Os discípulos desenvolvem suas capacidades por meio de quatro práticas fundamentais:


Eu, Korlyng, fui chamado a erguer novamente esses sabres. Não por escolha, mas porque o Dogma assim determinou. E sei que, enquanto houver ao menos um sabre aceso, a Ordem ainda respira.
# Combate em Harmonia: treinamento com sabres, destinado a integrar ataque, defesa, deslocamento e percepção.
# Fluxo da Força: exercícios de respiração, concentração e controle de suas manifestações.
# Compaixão da Luta: aprendizado da restauração e da responsabilidade diante daqueles que podem ser feridos em combate.
# Meditação no Círculo: desenvolvimento da percepção espiritual e da ligação entre a Força, a natureza e os seres.


== PARTE V — O Dogma dos Hartaris ==
À medida que avançam, os discípulos aprendem a reconhecer as manifestações Usual, Mental, Elemental e Espiritual da Força. Cada uma representa um campo de desenvolvimento que exige estudo e prática. Não basta manifestar uma habilidade extraordinária. É preciso compreender suas consequências e aprender a utilizá-la de maneira consciente.


=== O Coração da Ordem ===
Um mestre deve ensinar, orientar e reconhecer o momento de cada discípulo. Não deve procurar produzir uma cópia de si mesmo. Se todos os Hartari pensassem exatamente como seus mestres, nossa Ordem deixaria de aprender no instante em que uma geração desaparecesse.
O Dogma não é um livro. Não é um decreto. Não é sequer uma lei escrita.


O Dogma é respiração, é pulso, é a ponte invisível entre o sopro primordial e a carne. É o que sustenta a Ordem, o que guia os passos, o que ergue os sabres e o que impede que nos tornemos iguais aos Duldrons.
=== 4. A Ascensão Harmônica ===
A ascensão não ocorre pela morte de outro Hartari. Não considero que destruir alguém demonstre superioridade espiritual. O amadurecimento precisa ser reconhecido na capacidade de enfrentar as próprias limitações e assumir responsabilidades maiores.


Desde que fui arrancado da linha do tempo e devolvido ao mundo pelo poder de Amonsehat, percebi que o Dogma é a única verdade que permanece, mesmo quando o destino é rasgado e refeito. Eu morri — e ainda assim respiro. Eu caí — e ainda assim caminho. Não por mim, mas porque o Dogma não permite que sua chama seja extinta.
No Duelo da Harmonia, o discípulo enfrenta um reflexo de si mesmo invocado pela Força. Esse reflexo não deve ser simplesmente destruído. A prova exige reconhecer aquilo que foi projetado diante de si e compreender que nossas contradições não desaparecem porque aprendemos a empunhar uma arma.


Os antigos mestres diziam que o Dogma se divide em três respirações: Equilíbrio, Sacrifício e Legado.
Após essa etapa, o Hartari poderá aprofundar sua formação em uma das três sendas: Imbatível, Evocador ou Conselheiro. Nenhuma delas representa superioridade sobre as demais. São especializações que permitem desenvolver diferentes aplicações da Força.


* Equilíbrio, porque não há Hartari que se deixe guiar apenas pelo ódio ou apenas pela compaixão. Um coração desequilibrado ergue um sabre que logo se apaga.  Sacrifício, porque cada Hartari deve estar pronto a perder a própria vida para que o mundo respire mais um dia. Legado, porque nenhum de nós luta por si mesmo, mas por aqueles que ainda não nasceram.
A formação, entretanto, não termina com a escolha de uma senda. Um Imbatível continua responsável por compreender a restauração e a orientação. Um Evocador não pode desconhecer o combate. Um Conselheiro não deve limitar sua atuação às palavras. A especialização aprofunda capacidades, mas não elimina a responsabilidade de compreender o conjunto.


Os Duldrons sempre zombaram do Dogma, chamando-o de fraqueza, de prisão. Para Kalien e seus generais, o poder está no domínio, na subjugação, no esmagar dos povos e no apagar dos deuses. Para eles, fé e disciplina são correntes. Para nós, são asas.
= Estrutura Hierárquica da Ordem Hartari =
A Ordem preserva uma progressão de aprendizado conhecida como Passagem Hartari. Ela reconhece o desenvolvimento das manifestações da Força e a capacidade de assumir responsabilidades crescentes. As três sendas, por sua vez, representam campos de especialização e não devem ser confundidas com patentes hierárquicas.


E foi justamente o Dogma que permitiu à Ordem resistir tanto tempo. Mesmo quando fomos esmagados, mesmo quando os sabres caíram, mesmo quando as gerações seguintes esqueceram nossos nomes, o Dogma permaneceu, sussurrando na memória do mundo.
== A Passagem Hartari ==


Agora que caminho novamente sob o sol de Asdem, vejo como sua ausência corroeu os povos. Reinos que antes buscavam equilíbrio agora se devoram em guerras. Homens que deveriam se sacrificar por seus irmãos erguem tronos sobre cadáveres. Povos que deveriam guardar o legado renegam até o nome de seus antepassados.
=== 1. Iniciado ===
Aquele que ingressou na Ordem, mas ainda não desenvolveu suas habilidades. Encontra-se no início de sua formação, aprendendo a reconhecer a Força e compreender os fundamentos da vida Hartari.


Eu compreendo, enfim, que não basta empunhar o sabre. É preciso restaurar o Dogma. Sem ele, a Ordem renascida será apenas uma sombra armada, e não a esperança que o mundo aguarda.
=== 2. Aprendiz ===
Possui a Força Usual ativa e demonstra rapidez no aprendizado. Desenvolve suas primeiras capacidades sob a orientação de um mestre.


E se o Dogma exige sacrifício, que seja o meu. Pois eu, Korlyng, fui arrancado da morte não para vagar como fantasma, mas para me tornar instrumento. Que meu sangue sustente o Dogma, se for necessário. Que minha vida seja equilíbrio, sacrifício e legado.
=== 3. Imediato ===
Possui a Força Usual e a Força Mental ativas, demonstrando rapidez no aprendizado e equilíbrio. Seu desenvolvimento permite assumir responsabilidades mais amplas.


Enquanto meu coração pulsar, o Dogma não será esquecido.
=== 4. Servo da Luz ===
Possui as manifestações Usual, Mental e Elemental da Força ativas. Além do equilíbrio, deve demonstrar justa medida em suas decisões e ações.


Parte 6
=== 5. Mestre ===
Possui as manifestações Usual, Mental, Elemental e Espiritual da Força ativas. Demonstra capacidade de orientar e treinar outros Hartari, transmitindo conhecimentos e assumindo responsabilidades na formação de novas gerações.


A caminhada
=== 6. Grão-Mestre ===
Possui as quatro manifestações da Força ativas, capacidade de formar outros Hartari e aptidão para reconhecer, por meio da Força, aqueles que estão nascendo ou que já nasceram com sua centelha.


A única resposta possível para a pergunta de o porquê ser um Hartari é: para si mesmo. É somente para si mesmo que possui sentido em se tornar um Hartari. No momento que se perde o sentido de si, se perde o sentido do outro. Mesmo o mais justo cavaleiro sabe que no final do dia é apenas para poder dizer: eu consigo dormir em paz, conviver em paz comigo mesmo. Ou seja, não é por medo de seu Deus que ele irá ser bom. O bom cavaleiro é bom por ele mesmo, porque ele quer ser. E é assim que os Hartaris devem ser: bons porque temos que ser bons. Não é por alguma necessidade ou porque o fim se aproxima, é sim por si mesmo.
=== 7. Mestre da Força ===
Representa o grau mais elevado da Passagem Hartari. Além de dominar as quatro manifestações, possui capacidade de reconhecer novos portadores, treinar outros Hartari, exercer palavra de comando sobre a Ordem, controlar e ampliar a Força e promover a Elevação Hartari.


Não se torna um Hartari. Se nasce. Essa é a primeira e forte regra, se assim podemos dizer, que rege os Hartaris. Forçar uma pessoa a desenvolver seu Dogma é ir contra a natureza em seu sentido pleno. É ir contra as forças que controlam o Cosmos em que vivemos. O Dogma se manifesta de uma maneira única e própria em cada criança que o possui. Ele pode sim ser corrompido, porém, sempre existe uma esperança para aqueles que foram tocados pela bondade. O mal nunca é radical para um Hartari. Somente a bondade é radical, ou seja, somente a bondade possui raízes fortes. O mal é fonte de medo e todo medo pode se dissipado.
== As Três Sendas Hartari ==


O treinamento Hartari deve começar quando o ser tiver vontade de começar, quando ele sentir necessidade. Obviamente quanto mais cedo melhor, mas é uma questão de tempo, do tempo de cada um. Não podemos obrigar ninguém e nem forçar. É preciso estar-se preparado espiritualmente, querer aprender. E cada um possui o momento certo para isso, o momento em que o Dogma irá se manifestar. Certamente alguns irão passar uma vida sem esse desejo, mas é o respeito da vontade de cada um o dever de um Hartari. A vida é um bem precioso por demais para ser roubada ou ceifada, seja ela a forma que a isso venha a ser entendido.
=== Hartari Imbatível ===
Os Imbatíveis dedicam-se ao desenvolvimento marcial da Força. São guerreiros que procuram integrar técnica, resistência e domínio do sabre. Sua especialização permite enfrentar ameaças e proteger aqueles que não possuem condições de se defender.


O Templo Hartari localizado na Terra Proibida chamada Nemland é o ponto de encontro para aqueles que querem se aperfeiçoar na Arte dos Hartaris. Sim, uma arte. E como toda arte é preciso se ter disposição, se ter vontade e vocação. Somente se tendo elas é que vai se tornando um verdadeiro Hartari, alguém que está buscando desenvolver seu espírito de forma ampla e plena. O único pré-requisito é: ter o Dogma dentro de si. E a vontade de ter uma vida diferente dos demais seres, uma vida em que o Juramento de Valium tenha sentido.
Entre suas habilidades estão Fúria da Lâmina, Bloqueio com a Força e Ataque Giratório, culminando em Avatar da Guerra.


Parte 2 – O Aprendizado
=== Hartari Evocador ===
Os Evocadores dedicam-se à restauração e à preservação da vida. Desenvolvem capacidades relacionadas à cura, à proteção e à integração entre corpo e espírito. Seu conhecimento do sabre permanece importante, mas sua especialização aprofunda as manifestações restauradoras da Força.


Como é aprender o Dogma? Não é pela visão, ao menos não somente por ela. É por todos os sentidos. Ele está presente em nós que nascemos com ele, mas não quer dizer que ele seja nosso. Não! Ele flui dentro em nós, mas não é nosso. Faz parte do Cosmos e da Natureza e é por isso que através dele tudo é possível. Não nos tornamos simplesmente um Hartari, nós aprendemos a ser. Aprendemos, pois ele pode e deve ser ensinado. E quem o faz é um Mestre Hartari.
Entre suas habilidades estão Toque Restaurador, Canalizar Vida e Campo de Serenidade, culminando em Avatar da Cura.


Denominamos Passagem Hartari para os que fazem parte dos Hartaris:
=== Hartari Conselheiro ===
Os Conselheiros dedicam-se à orientação espiritual, à estratégia e à coordenação coletiva. Desenvolvem capacidades que permitem organizar aliados, fortalecer vínculos e conduzir diferentes indivíduos em ações conjuntas.


* Iniciado: o que entrou nos Hartaris e ainda não desenvolveu suas habilidades.  Aprendiz: o que está com a habilidade do Dogma Usual ativa e já demonstra rapidez em aprendizado.  Imediato: o que está com o Dogma Usual e Mental ativos e demonstra além de rapidez de aprendizado, o equilíbrio.  Servo da Luz: o que está com o Dogma Usual, Mental e Elemental ativos e demonstra além de rapidez de aprendizado, o equilíbrio e a justa medida.  Mestre: o que está com o Dogma Usual, Mental, Elemental e Espiritual ativos e demonstra além de rapidez de aprendizado, o equilíbrio, a justa medida e é capaz treinar outros Hartaris.  Grão Mestre: o que está com o Dogma Usual, Mental, Elemental e Espiritual ativos e demonstra além de rapidez de aprendizado, o equilíbrio, a justa medida, é capaz treinar Hartaris e achar pelo Dogma outros Hartaris que estejam nascendo ou que nasceram.  Mestre do Dogma: o que está com o Dogma Usual, Mental, Elemental e Espiritual ativos e demonstra além de rapidez de aprendizado, o equilíbrio, a justa medida, é capaz treinar Hartaris, achar pelo Dogma outros Hartaris, ter palavra de comando sobre todos os Hartaris, controlar plenamente e ampliar o Dogma e acima de tudo promover a Elevação Hartari.
Entre suas habilidades estão Domínio Duplo, Palavra Inspiradora e Comando de Guerra, culminando em Avatar do Equilíbrio.


Parte 3 – Os Caminhos
== O Mestre Conselheiro ==
Sou Korlyng Handel’t II, e hoje carrego a responsabilidade de conduzir a Ordem Hartari. Não considero que minha posição me torne proprietário da Força ou superior àqueles que caminham comigo. Recebi uma herança extraordinária, mas isso não significa que todas as respostas estejam ao meu alcance.


Os Caminhos são o desenvolvimento do Espírito e a percepção de o quanto um Hartari está evoluindo. Mas muito se engana o Hartari que pensa que o Caminho deve ser realizado somente uma vez! O Caminho deve ser feito sempre! Deve ser pensado, vivido e sonhado. Aconselha-se praticar o Caminho uma vez ao mês.
A Força que carrego permite reconhecer outros Hartari, perceber seus vínculos e orientar aqueles que procuram desenvolver sua centelha. Mais de cem mestres permanecem comigo por meio da transmissão que recebi. Suas experiências fazem parte daquilo que sou, mas minhas escolhas continuam sendo minhas. Não posso atribuir aos mortos a responsabilidade pelas decisões que tomo entre os vivos.


1º Caminho: Natureza e Virtude – nesse caminho o Hartari deve aprender que ser virtuoso é olhar para fora de si mesmo. E que a conexão com a natureza, com Cosmos, é por onde o Dogma possui entrada. Destina-se ao Iniciado.
Não desejo formar uma Ordem que dependa eternamente da minha presença. Se tudo aquilo que estamos construindo desaparecer quando eu deixar de existir, teremos cometido o mesmo erro que contribuiu para a queda da antiga Ordem. Quero que os Hartari aprendam a reconhecer sua própria responsabilidade e que sejam capazes de continuar mesmo quando não houver alguém para lhes indicar cada passo.


2º Caminho: Regulamento e Respeito – nesse caminho o Hartari aprenderá como, através do Juramento de Valium, pode construir uma terra firme para apoiar suas decisões. E que através do respeito a si mesmo é possível fazer com que seu Dogma se desenvolva de forma consciente. Destina-se ao Aprendiz.
= A Singularidade Ritual dos Hartari =
Não desejo que sejamos lembrados apenas como guerreiros que empunhavam sabres luminosos. A história de Asdem já possui exércitos suficientes para demonstrar que armas poderosas não garantem sabedoria. Nossa singularidade deve permanecer na maneira como compreendemos a Força e aquilo que fazemos com ela.


3º Caminho: Humildade e Obediência – nesse caminho o Hartari entende que a humildade está ligada intimamente com fato de pensar no conjunto em primeiro lugar. E que a obediência ao seu Mestre é o único meio de fazer seu Dogma ficar forte e seu espírito ser inquebrantável. Destina-se ao Imediato.
A Força não nos impede de errar. Também não nos transforma automaticamente em pessoas justas. Ela amplia nossas possibilidades, e isso significa que também amplia nossa responsabilidade. Quanto maior a capacidade de agir sobre o mundo, maior deve ser o cuidado com as consequências de nossas escolhas.


4º Caminho: Prudência e Destino – nesse caminho o Hartari sente que a prudência em usar seu Dogma é o mesmo que em evitar sua morte e viver de forma digna. E começa a sentir também que o destino é ele quem traça e que pode ser modificado pelo Dogma. Destina-se ao Servo da Luz.
Aprendi que a verdadeira formação de um Hartari começa quando ele compreende que não precisa demonstrar superioridade sobre os demais. A lâmina, a cura e a palavra são manifestações diferentes de uma mesma responsabilidade. Um Imbatível poderá salvar vidas durante uma batalha. Um Evocador poderá restaurar aquilo que a guerra destruiu. Um Conselheiro poderá impedir que uma batalha aconteça. Nenhum deles será menos Hartari por isso.


5º Caminho: Excelência e Retidão – nesse caminho o Hartari compreende que não basta ele ser bom, ele precisa ser excelente, precisa dar exemplo no que faz. E que a Retidão, o ser inteiro com ele mesmo ajuda seu espírito a se desenvolver de forma a lhe beneficiar. Destina-se ao Mestre.
Quero que a Ordem sobreviva a mim, a Kalien e às guerras que ainda enfrentaremos. Quero que nossos discípulos conheçam a história dos antigos mestres, mas não permaneçam aprisionados por ela. Quero que aprendam a reconhecer a Força sem acreditar que possuem o direito de decidir o destino de todos os seres.


6º Caminho: Paciência, Determinação, Fé, Sabedoria e Liderança – nesse caminho o Hartari possui sua elevação, ele completa o círculo e seu espírito é invadido pela luz, pelo Dogma completo. Ele percebe que a paciência em seguir os outros caminhos com determinação o levou a ter fé em si mesmo e a sabedoria necessária para ter a liderança onde quer que o mal se apresente, como sinal de luz, de força, de Dogma. Destina-se ao Grão Mestre.
'''Porque, se existe algo que aprendi atravessando a morte, o tempo e a perda daqueles que amei, é que não basta preservar a vida dos outros. É preciso permitir que essa vida continue pertencendo a eles.'''
 
7º Caminho: Cosmos – esse caminho é a elevação máxima do Espírito de um Hartari e só é atingido pelo Mestre do Dogma, aquele que é capaz de desenvolver habilidade nos outros com a força de seu espírito. O domínio e controle do Círculo Hartari é a única maneira pela qual um Grão Mestre pode-se tornar um Mestre do Dogma. Ele não está no Círculo, pois ele é em sua totalidade o Círculo Hartari.
 
Parte 4 – Os Dogmas
 
Dogma Usual: o Iniciado, o Aprendiz, o Imediato e o Servo da Luz Hartari começam a aprender o que é o Dogma e dessa forma sentirá que ele é como uma força do espírito que age sobre a matéria. O Dogma é a manifestação mais direta que se pode ter do espírito sobre o imanente. E sua primeira manifestação é pelo seu Uso, pelo Usual, ou seja, pela maneira mais básica de torná-lo presente no mundo que é, de fato, usando-o.
 
Dogma Mental: o Iniciado, o Aprendiz, o Imediato e o Servo da Luz Hartari aprenderão que desenvolver o Dogma vai muito além de sua influência no mundo físico. Ele se estende também ao seu intelecto e à maneira de como ele vê as coisas no e do mundo. A Mente é por onde o espírito se faz presente no mundo e é por ela que os Hartaris se sentem mais livres para desenvolver suas potencialidades. O Dogma Mental não serve para os outros, mas para si mesmo e para uma maior comunhão dos Hartaris entre si. Que isso seja mais do que claro, que isso seja de fato vivenciado.
 
Dogma Elemental: o Iniciado, o Aprendiz, o Imediato e o Servo da Luz Hartari após conseguirem o equilíbrio entre o Uso material do Dogma e sua manifestação Mental irão naturalmente aprender que também podem usar dos Elementos que a natureza oferece. Afinal, se o Dogma é uma parte do Cosmos a natureza também o é. E dessa forma tudo se interliga e tudo está conectado, em harmonia. Ao escolher um elemento para aprender a ligar-se, o Hartari está treinando sua capacidade de modificar a própria natureza à sua volta. Esse Dogma é o mais perigoso pois é o teste que o Hartari possui para que seu espírito não enverede para o caminho do medo e da escuridão.
 
Dogma Espiritual: o Iniciado, o Aprendiz, o Imediato e o Servo da Luz Hartari após controlarem a forma imanente (Usual), a percepção (Mental) e a transmutação (Elemental) do Dogma estão aptos a tornarem-se um Mestre Hartari. E é somente aos Mestres, aqueles que viveram os Caminhos de forma perceptível, que este Dogma se destina. Pois toda a preparação até esse momento será sentida no Espírito. E é por ele que esse Dogma, em sua forma pura, irá se manifestar. E aqui o Hartari deve se preparar voltando e vivenciando os caminhos de forma mais intensa, realizando uma volta dentro de si mesmo.
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== Ponto de Equilíbrio ou Volta ao Espírito ==
Entre os Hartaris temos algo que chamamos Ponto de Equilíbrio ou a Volta ao Espírito. É como que uma segurança para um Hartari quando este começa a deixar-se dominar pelo medo, pelo ódio, pela raiva e outros sentimentos que o levam para o lado escuro de si mesmo e ele não vê mais o Dogma e sim um Poder, algo que serve para mandar e controlar. Pode ser uma imagem, uma pessoa, uma frase, algo que ele compartilhe com seu Mestre e com mais alguém.
 
HARTARIS NÃO PODEM SER PONTOS DE EQUILÍBRIO UM DO OUTRO.
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== Elevação Hartari ==
Somente aos Mestres, Grãos Mestres e Mestres do Dogma é que a Elevação acontece. O que é a Elevação? Ela é outro tipo de acesso ao Dogma, a essa força, a essa energia vinda do Cosmos que o Espírito canaliza. A Elevação permite aprimorar o Dogma de forma ilimitada e, dessa forma, até mesmo criar vida onde as trevas já consumiram quase tudo.
 
Como é possível a Elevação? Elevar é estar acima de si mesmo olhando para dentro de si mesmo, porém é mais do que isso: é ser capaz de olhar o outro com amor. A Elevação só se tornou possível, pois eu, Korlyng Handel’t II, tenho o Dogma de inúmeros Hartaris dentro de mim e, dessa forma, consigo passar àqueles que um dia serão Sagrados Mestres. Sou o único acesso a ele e a única forma até que outro Mestre do Dogma seja Sagrado.
 
A Elevação acontece de forma natural quando o Hartari prepara seu espírito e consegue canalizar através dele o Cosmos de forma a expandi-lo. Essa expansão é o que causa a Elevação. A Elevação também só acontece quando o Mestre do Dogma está ligado espiritualmente ao Mestre ou Grão Mestre e percebe sua evolução. A Elevação só irá acontecer quando o espírito estiver repleto de amor e nunca — jamais — por qualquer outro sentimento.
 
* Mestre: capacidade de usar a Telepatia ilimitadamente. Ligação com o Aprendiz de forma única, podendo teleportar onde ele estiver uma vez ao dia. Capacidade de usar todos os elementos e se transformar neles.  Grão Mestre: capacidade de usar a Telecinésia ilimitadamente. Capacidade de congelar o tempo uma vez ao dia. Capacidade de usar uma linha do Círculo Hartari para realizar encantamentos.  Mestre do Dogma: capacidade de criar a vida seja de plantas, animais e ou mesmo ressuscitar aqueles que se foram. Capacidade de invocar todos os Hartaris mentalmente e teleportá-los uma vez ao mês. Capacidade de utilizar o Círculo Hartari para realizar encantamentos, feitiços, potencializar a essência etc.
 
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== Juramento de Valium ==
Todo Hartari ao passar de Iniciado para Aprendiz deve fazer o Juramento de Valium, compilado não somente em homenagem à Valium Ardash I, mas também para lembrar todos àqueles que, desde o início da antiga Ordem dos Hartaris, formam uma unidade conosco mesmo após não estarem mais presentes de forma física.
 
O Juramento de Valium é também renovado de forma simbólica toda vez que o Hartari receber nova Sagração, passando para a hierarquia seguinte. Quem conduz todas as Sagrações é o Mestre do Dogma, podendo conceder ao Grão Mestre designado quando da impossibilidade de estar presente.
 
A Sagração é um belo momento e deve ser feita, não importando a hierarquia, seguindo esses princípios: uma semana de meditação em local isolado e longe de quaisquer tipos de comunicações a ser indicado pelo Mestre do Dogma, podendo conceder ao Grão Mestre a escolha do local.
 
O Hartari deverá repassar diariamente os Caminhos e, ao final da semana de meditação, deverá comparecer no Templo Hartari seguindo as instruções de seu Mestre. No dia da Sagração, que é o dia de festa, a família poderá estar presente para as festividades.
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== Círculo Hartari ==
Todo Hartari, ao ingressar no aprendizado, recebe um Círculo em que os Caminhos estão inscritos. O Círculo é feito de Amaritu, um mineral que possui cores variadas e que é entregue no dia da Sagração.
 
Quando se torna Mestre, o Hartari, junto a seu Mestre, irá colocar esse símbolo em seu espírito. O Círculo irá lhe ajudar em momentos de solidão e tristeza, mas também será um lembrete dos Caminhos que o levaram a se tornar um Hartari.
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Edição atual tal como às 02h55min de 16 de outubro de 2026

História da Ordem Hartari

A Origem

A história da Ordem Hartari começou muito antes de Korlyng Handel’t II assumir a responsabilidade por sua reconstrução. Fundada por Valium Ardash I, a antiga Ordem nasceu da compreensão de que a Força não era propriedade dos deuses, dos reis ou de qualquer povo, mas uma manifestação da própria vida, presente na natureza, no espírito e no Cosmos. Os primeiros Hartari reconheceram que determinados seres nasciam capazes de perceber essa presença e desenvolvê-la, estabelecendo uma tradição de aprendizado transmitida entre mestres e discípulos ao longo das gerações.

Durante séculos, a Ordem reuniu conhecimentos sobre a Força, suas manifestações e sua relação com a existência. Seus mestres compreenderam que a vida não poderia ser reduzida à oposição entre poder e fraqueza, tampouco que o equilíbrio significasse a ausência de conflitos. Entretanto, a própria instituição acabou se afastando de parte de seus fundamentos. O isolamento, a concentração do conhecimento e o fechamento progressivo em suas tradições contribuíram para uma corrupção interna que comprometeu sua capacidade de reconhecer as transformações do mundo. Sua queda, registrada no ano 02 d.M., não representou apenas uma derrota diante de seus inimigos, mas também o esgotamento de uma organização que havia perdido parte de sua capacidade de se renovar.

Antes de sua destruição, mais de cem Mestres Hartari reuniram sua sabedoria e suas manifestações da Força, transmitindo-as ao pai de Korlyng Handel’t II, que posteriormente as legou ao próprio filho. A antiga Ordem desapareceu como instituição, mas sua herança espiritual permaneceu. Essa transmissão permitiria, muito tempo depois, que a história dos Hartari não terminasse com a morte de seus mestres.

Foi dessa herança que nasceu a nova caminhada.

“Meu nome é Korlyng Handel’t II, filho da luz, escolhido por muitos para portar a Força que cria vida e dissipa as trevas. Trazer a luz não é um simples ato de bondade, mas algo que nos faz sair de nós mesmos e caminhar em direção àquilo que é bom e belo para a vida.” Korlyng Handel’t II, em seus registros sobre a reconstrução da Ordem.

Não pretendo reconstruir a Ordem Hartari para que ela volte a ser aquilo que foi. Se esse fosse meu propósito, bastaria repetir os ensinamentos antigos, erguer os mesmos templos e esperar que os mesmos erros produzissem consequências diferentes. Não sou tão ingênuo. Recebi a herança de mais de cem mestres, suas experiências, suas convicções e parte de seus espíritos. Carrego comigo aquilo que sobreviverá a muitas gerações, mas também reconheço o peso de seus fracassos. A antiga Ordem possuía sabedoria, certamente, mas a sabedoria que se fecha em si mesma acaba se tornando incapaz de reconhecer a própria ignorância. Não permitirei que isso aconteça novamente.

Agradeço ao imperador James Relsin’d II, que acreditou em mim quando reconstruir os Hartari parecia uma tarefa impossível. Seu apoio financeiro e espiritual permitiu que essa caminhada encontrasse condições para continuar. Entretanto, não quero que nossos futuros discípulos pensem que a Ordem existe apenas para enfrentar Kalien, combater os Duldrons ou impedir novas guerras. Tudo isso poderá ser necessário, mas não é suficiente para justificar nossa existência. Somos Hartari porque escolhemos desenvolver aquilo que existe de melhor em nós. Se perdermos essa compreensão, poderemos vencer todas as guerras e, ainda assim, fracassar naquilo que realmente importa.

O Código Hartari

A Força não é um livro de mandamentos. Não é uma lei escrita em pedra, tampouco uma autoridade diante da qual devemos abandonar nossa consciência. Ela existe antes de nós e continuará existindo depois. Está na natureza, nos seres, naquilo que nasce e naquilo que desaparece. Nós a sentimos, aprendemos a utilizá-la e, em determinadas circunstâncias, conseguimos ampliá-la. Mas não somos seus proprietários. Um Hartari que acredita possuir a Força como possui seu sabre já começou a compreender tudo de maneira equivocada.

Os antigos mestres preservaram três fundamentos que considero indispensáveis à nossa existência:

  1. Equilíbrio: reconhecer nossas emoções, nossos desejos e nossos temores sem permitir que uma única disposição governe todas as nossas escolhas. Não se trata de eliminar a raiva ou desconhecer a tristeza, mas de compreender aquilo que sentimos e agir com justa medida.
  2. Sacrifício: aceitar que preservar a vida pode exigir a disposição de arriscar a própria existência. Não procuramos a morte nem transformamos o sofrimento em virtude. Entretanto, existem momentos em que proteger alguém significa colocar-se diante daquilo que poderia destruí-lo.
  3. Legado: compreender que nossas ações não terminam conosco. Cada conhecimento transmitido, cada vida preservada e cada decisão tomada alcançam pessoas que talvez jamais conheceremos. Não lutamos apenas por aqueles que vivem hoje, mas também por aqueles que ainda nascerão.

Esses princípios não podem ser impostos pela ameaça de punição. Sempre desconfiei de quem afirma ser bom apenas porque teme o julgamento de alguma divindade. Se a bondade depende exclusivamente do medo, o que acontecerá quando esse medo desaparecer? Um Hartari deve ser capaz de reconhecer o valor de suas ações mesmo quando ninguém está observando. Ao final de cada dia, precisamos conviver com aquilo que fizemos. E não conheço julgamento mais difícil do que aquele do qual não podemos nos afastar.

O Juramento de Valium permanece como uma referência fundamental de nossa tradição. Não desejo que seja repetido como uma sequência de palavras vazias, mas compreendido em sua responsabilidade. Um juramento não torna alguém justo. São as escolhas posteriores que demonstram se aquelas palavras realmente encontraram lugar em seu espírito.

Ritos e Práticas

Não tomamos crianças de suas famílias. Não marcamos corpos para demonstrar autoridade. Não acreditamos que a dor, por si mesma, produza sabedoria. A Força se manifesta em cada indivíduo de maneira particular, e nosso primeiro dever é reconhecer essa singularidade. Ninguém deve ser obrigado a desenvolver aquilo que ainda não deseja compreender.

A formação Hartari preserva práticas destinadas ao amadurecimento espiritual e ao desenvolvimento das capacidades de seus integrantes:

  • Rito do Espelho da Força: o jovem é conduzido ao templo e colocado diante de um sabre cristalino. Quando a lâmina manifesta seu brilho, reconhecemos que existe disposição para iniciar o aprendizado. Caso permaneça silenciosa, o jovem retorna à sua vida. Não há vergonha nisso. A Força não obedece à nossa impaciência.
  • Rito da Luz e da Sombra: durante sete noites, o iniciado permanece em silêncio, alternando entre cavernas escuras e pátios iluminados pelo luar. Aprende que não podemos compreender a luz fingindo que a sombra não existe. Na última noite, o sabre é colocado junto ao seu peito, marcando a prova de sua disposição para prosseguir.
  • Combate em Harmonia: ensinamos que ataque e defesa não são conhecimentos separados. Um sabre deve responder à necessidade de quem o empunha, mas sua utilização exige disciplina, percepção e responsabilidade.
  • Fluxo da Força: por meio da respiração, da concentração e da meditação, aprendemos a reconhecer a energia que atravessa nosso corpo e o mundo.
  • Compaixão da Luta: aquele que aprende a ferir também deve compreender a responsabilidade de restaurar. Por isso, nossos discípulos exercitam a cura e o cuidado daqueles com quem treinam.
  • Meditação no Círculo: buscamos perceber a presença da Força na natureza, reconhecendo seus ecos nas pedras, nas raízes, na água e nos demais seres.
  • Duelo da Harmonia: o discípulo enfrenta um reflexo de si mesmo invocado pela Força. Não deve destruí-lo, mas compreender aquilo que o reflexo representa e integrá-lo à própria consciência.

A disciplina é necessária. O sofrimento, entretanto, não pode ser confundido com aprendizado. Conheci guerreiros capazes de suportar ferimentos terríveis que não conseguiam enfrentar uma única lembrança de sua infância. Também conheci pessoas sem qualquer experiência militar que demonstraram uma coragem diante da vida que muitos generais jamais compreenderiam. É por isso que não avalio um Hartari apenas pela força de seus braços ou pela velocidade de seu sabre.

Singularidade

A Força se manifesta em nós, mas não começa nem termina em nossa existência. Essa compreensão determina a maneira como formamos nossos discípulos e preservamos nossa tradição.

  • A Centelha da Força: nascemos com a possibilidade de reconhecê-la, mas nem todos despertam para seu desenvolvimento. Algumas pessoas podem atravessar uma vida inteira sem desejar seguir esse caminho. Respeitar essa escolha é parte de nossa responsabilidade.
  • A União dos Seres: a Força nos permite reconhecer que a vida não existe isoladamente. Aquilo que fazemos produz consequências que ultrapassam nossa própria existência.
  • A Transmissão Espiritual: a experiência de um mestre não precisa desaparecer com sua morte. Conhecimentos e manifestações da Força podem ser transmitidos entre gerações. Carrego comigo a herança de mais de cem mestres e sei que essa continuidade não pode ser reduzida à preservação de livros.
  • Os Sabres Hartari: cada sabre representa uma extensão do espírito de quem o empunha. As lâminas azuis estão associadas ao equilíbrio, as douradas à sabedoria e as brancas à pureza alcançada. A corrupção da Força pode alterar sua manifestação, fazendo surgir tonalidades escarlates ou mesmo extinguindo seu brilho.
  • O Vínculo Espiritual: consigo reconhecer a presença da Força em outros Hartari e, por meio desse vínculo, orientar aqueles que ainda procuram seu caminho. Quando um portador se aproxima de outro, posso perceber essa ligação e ajudá-los a se encontrar.
  • A Corrupção da Força: nenhum Hartari está inteiramente protegido contra o ódio, a vingança ou a sede de poder. A Força pode ser utilizada para ferir e dominar. Por isso, nossa formação deve alcançar também aquilo que pensamos, sentimos e desejamos.

A Guerra contra os Duldrons

A guerra contra os Duldrons não começou comigo, e seria absurdo acreditar que terminará simplesmente porque consegui reunir novamente os Hartari. A antiga Ordem enfrentou Kalien e seus seguidores durante um conflito que atravessou gerações e destruiu grande parte de nossa tradição. Muitos mestres morreram. Outros desapareceram. Sabres foram escondidos, conhecimentos se perderam e o próprio nome Hartari deixou de ser lembrado em diferentes regiões de Asdem.

Entretanto, não acredito que nossa existência possa ser definida exclusivamente por essa guerra. Os Duldrons fizeram da força e da dominação os fundamentos de sua filosofia. Nós precisamos demonstrar que a Força também pode preservar, restaurar e permitir que diferentes seres encontrem seu próprio caminho. Não se trata de negar o combate. Sei perfeitamente que algumas ameaças não serão interrompidas por palavras. Mas uma Ordem que só encontra sentido quando possui um inimigo corre o risco de se tornar incapaz de viver sem ele.

Kalien deverá ser enfrentado. Seus generais também. Não ignoro o que fizeram aos nossos povos, tampouco aquilo que continuam fazendo. Contudo, quero que os Hartari compreendam que derrotar um Duldron não significa necessariamente vencer aquilo que o tornou perigoso. A vitória que procuro não será medida apenas pelos inimigos mortos, mas pela possibilidade de reconstruirmos um mundo no qual a vida não precise permanecer submetida à vontade dos mais poderosos.

O Treinamento Hartari

1. A Escolha: O Chamado da Centelha

Não se torna Hartari simplesmente porque alguém deseja receber um título. Nasce-se com a Força, mas aprende-se a ser Hartari. Essa distinção é fundamental. Não podemos produzir a centelha em alguém que não a possui, tampouco obrigar uma pessoa a desenvolvê-la apenas porque reconhecemos seu potencial.

O treinamento deve começar quando o próprio indivíduo manifesta vontade de aprender. Naturalmente, quanto mais cedo se inicia a formação, maiores podem ser as oportunidades de desenvolvimento. Entretanto, cada pessoa possui seu tempo. Algumas despertam ainda na infância. Outras precisam atravessar experiências que somente a vida poderá oferecer. E existem aquelas que jamais desejarão seguir nossa caminhada. Não cabe à Ordem puni-las por isso.

O Templo Hartari de Nemland, localizado na Terra Proibida, é um dos lugares destinados ao encontro e ao aperfeiçoamento daqueles que procuram desenvolver a Arte Hartari. Considero importante utilizar essa expressão: arte. Como toda arte, exige disposição, vocação, disciplina e aprendizado. Não basta conhecer seus instrumentos. É necessário compreender aquilo que desejamos realizar com eles.

O primeiro reconhecimento ocorre durante o Rito do Espelho da Força. Diante de um sabre cristalino, o jovem procura reconhecer a manifestação de sua centelha. Quando a lâmina brilha, inicia-se a possibilidade de sua formação. Quando permanece silenciosa, respeitamos o momento daquele indivíduo. Não devemos transformar o chamado da Força em uma obrigação.

2. O Rito da Luz e da Sombra: A Iniciação

Durante sete noites, o iniciado permanece em silêncio. Parte desse período é vivida em cavernas escuras; outra parte, em pátios abertos ao luar. O objetivo não é assustá-lo, mas permitir que reconheça aquilo que sente quando as distrações desaparecem.

É relativamente fácil demonstrar coragem quando estamos cercados de companheiros. Mais difícil é permanecer diante de nossos próprios pensamentos sem procurar fugir deles. A escuridão não deve ser tratada como uma inimiga que precisamos destruir. Precisamos compreender aquilo que ela desperta em nós.

Na última noite, o sabre é colocado junto ao peito do iniciado. A firmeza diante dessa experiência demonstra sua disposição para continuar. Aqueles que ainda não estão preparados podem retornar à vida comum. Não considero isso uma derrota. Seria muito mais perigoso permitir que alguém avançasse apenas para satisfazer a expectativa de um mestre.

Quando conclui o rito, o iniciado pode ser reconhecido como Discípulo da Lâmina, começando sua formação prática e espiritual.

3. O Treinamento dos Discípulos

O aprendizado da Força não ocorre apenas pelos olhos. Aprendemos por todos os sentidos, por aquilo que percebemos no corpo e pelo que reconhecemos em nossa relação com o mundo. A Força flui dentro de nós, mas não nos pertence. Faz parte do Cosmos e da natureza, e é justamente por isso que suas possibilidades ultrapassam aquilo que conseguimos compreender individualmente.

Os discípulos desenvolvem suas capacidades por meio de quatro práticas fundamentais:

  1. Combate em Harmonia: treinamento com sabres, destinado a integrar ataque, defesa, deslocamento e percepção.
  2. Fluxo da Força: exercícios de respiração, concentração e controle de suas manifestações.
  3. Compaixão da Luta: aprendizado da restauração e da responsabilidade diante daqueles que podem ser feridos em combate.
  4. Meditação no Círculo: desenvolvimento da percepção espiritual e da ligação entre a Força, a natureza e os seres.

À medida que avançam, os discípulos aprendem a reconhecer as manifestações Usual, Mental, Elemental e Espiritual da Força. Cada uma representa um campo de desenvolvimento que exige estudo e prática. Não basta manifestar uma habilidade extraordinária. É preciso compreender suas consequências e aprender a utilizá-la de maneira consciente.

Um mestre deve ensinar, orientar e reconhecer o momento de cada discípulo. Não deve procurar produzir uma cópia de si mesmo. Se todos os Hartari pensassem exatamente como seus mestres, nossa Ordem deixaria de aprender no instante em que uma geração desaparecesse.

4. A Ascensão Harmônica

A ascensão não ocorre pela morte de outro Hartari. Não considero que destruir alguém demonstre superioridade espiritual. O amadurecimento precisa ser reconhecido na capacidade de enfrentar as próprias limitações e assumir responsabilidades maiores.

No Duelo da Harmonia, o discípulo enfrenta um reflexo de si mesmo invocado pela Força. Esse reflexo não deve ser simplesmente destruído. A prova exige reconhecer aquilo que foi projetado diante de si e compreender que nossas contradições não desaparecem porque aprendemos a empunhar uma arma.

Após essa etapa, o Hartari poderá aprofundar sua formação em uma das três sendas: Imbatível, Evocador ou Conselheiro. Nenhuma delas representa superioridade sobre as demais. São especializações que permitem desenvolver diferentes aplicações da Força.

A formação, entretanto, não termina com a escolha de uma senda. Um Imbatível continua responsável por compreender a restauração e a orientação. Um Evocador não pode desconhecer o combate. Um Conselheiro não deve limitar sua atuação às palavras. A especialização aprofunda capacidades, mas não elimina a responsabilidade de compreender o conjunto.

Estrutura Hierárquica da Ordem Hartari

A Ordem preserva uma progressão de aprendizado conhecida como Passagem Hartari. Ela reconhece o desenvolvimento das manifestações da Força e a capacidade de assumir responsabilidades crescentes. As três sendas, por sua vez, representam campos de especialização e não devem ser confundidas com patentes hierárquicas.

A Passagem Hartari

1. Iniciado

Aquele que ingressou na Ordem, mas ainda não desenvolveu suas habilidades. Encontra-se no início de sua formação, aprendendo a reconhecer a Força e compreender os fundamentos da vida Hartari.

2. Aprendiz

Possui a Força Usual ativa e demonstra rapidez no aprendizado. Desenvolve suas primeiras capacidades sob a orientação de um mestre.

3. Imediato

Possui a Força Usual e a Força Mental ativas, demonstrando rapidez no aprendizado e equilíbrio. Seu desenvolvimento permite assumir responsabilidades mais amplas.

4. Servo da Luz

Possui as manifestações Usual, Mental e Elemental da Força ativas. Além do equilíbrio, deve demonstrar justa medida em suas decisões e ações.

5. Mestre

Possui as manifestações Usual, Mental, Elemental e Espiritual da Força ativas. Demonstra capacidade de orientar e treinar outros Hartari, transmitindo conhecimentos e assumindo responsabilidades na formação de novas gerações.

6. Grão-Mestre

Possui as quatro manifestações da Força ativas, capacidade de formar outros Hartari e aptidão para reconhecer, por meio da Força, aqueles que estão nascendo ou que já nasceram com sua centelha.

7. Mestre da Força

Representa o grau mais elevado da Passagem Hartari. Além de dominar as quatro manifestações, possui capacidade de reconhecer novos portadores, treinar outros Hartari, exercer palavra de comando sobre a Ordem, controlar e ampliar a Força e promover a Elevação Hartari.

As Três Sendas Hartari

Hartari Imbatível

Os Imbatíveis dedicam-se ao desenvolvimento marcial da Força. São guerreiros que procuram integrar técnica, resistência e domínio do sabre. Sua especialização permite enfrentar ameaças e proteger aqueles que não possuem condições de se defender.

Entre suas habilidades estão Fúria da Lâmina, Bloqueio com a Força e Ataque Giratório, culminando em Avatar da Guerra.

Hartari Evocador

Os Evocadores dedicam-se à restauração e à preservação da vida. Desenvolvem capacidades relacionadas à cura, à proteção e à integração entre corpo e espírito. Seu conhecimento do sabre permanece importante, mas sua especialização aprofunda as manifestações restauradoras da Força.

Entre suas habilidades estão Toque Restaurador, Canalizar Vida e Campo de Serenidade, culminando em Avatar da Cura.

Hartari Conselheiro

Os Conselheiros dedicam-se à orientação espiritual, à estratégia e à coordenação coletiva. Desenvolvem capacidades que permitem organizar aliados, fortalecer vínculos e conduzir diferentes indivíduos em ações conjuntas.

Entre suas habilidades estão Domínio Duplo, Palavra Inspiradora e Comando de Guerra, culminando em Avatar do Equilíbrio.

O Mestre Conselheiro

Sou Korlyng Handel’t II, e hoje carrego a responsabilidade de conduzir a Ordem Hartari. Não considero que minha posição me torne proprietário da Força ou superior àqueles que caminham comigo. Recebi uma herança extraordinária, mas isso não significa que todas as respostas estejam ao meu alcance.

A Força que carrego permite reconhecer outros Hartari, perceber seus vínculos e orientar aqueles que procuram desenvolver sua centelha. Mais de cem mestres permanecem comigo por meio da transmissão que recebi. Suas experiências fazem parte daquilo que sou, mas minhas escolhas continuam sendo minhas. Não posso atribuir aos mortos a responsabilidade pelas decisões que tomo entre os vivos.

Não desejo formar uma Ordem que dependa eternamente da minha presença. Se tudo aquilo que estamos construindo desaparecer quando eu deixar de existir, teremos cometido o mesmo erro que contribuiu para a queda da antiga Ordem. Quero que os Hartari aprendam a reconhecer sua própria responsabilidade e que sejam capazes de continuar mesmo quando não houver alguém para lhes indicar cada passo.

A Singularidade Ritual dos Hartari

Não desejo que sejamos lembrados apenas como guerreiros que empunhavam sabres luminosos. A história de Asdem já possui exércitos suficientes para demonstrar que armas poderosas não garantem sabedoria. Nossa singularidade deve permanecer na maneira como compreendemos a Força e aquilo que fazemos com ela.

A Força não nos impede de errar. Também não nos transforma automaticamente em pessoas justas. Ela amplia nossas possibilidades, e isso significa que também amplia nossa responsabilidade. Quanto maior a capacidade de agir sobre o mundo, maior deve ser o cuidado com as consequências de nossas escolhas.

Aprendi que a verdadeira formação de um Hartari começa quando ele compreende que não precisa demonstrar superioridade sobre os demais. A lâmina, a cura e a palavra são manifestações diferentes de uma mesma responsabilidade. Um Imbatível poderá salvar vidas durante uma batalha. Um Evocador poderá restaurar aquilo que a guerra destruiu. Um Conselheiro poderá impedir que uma batalha aconteça. Nenhum deles será menos Hartari por isso.

Quero que a Ordem sobreviva a mim, a Kalien e às guerras que ainda enfrentaremos. Quero que nossos discípulos conheçam a história dos antigos mestres, mas não permaneçam aprisionados por ela. Quero que aprendam a reconhecer a Força sem acreditar que possuem o direito de decidir o destino de todos os seres.

Porque, se existe algo que aprendi atravessando a morte, o tempo e a perda daqueles que amei, é que não basta preservar a vida dos outros. É preciso permitir que essa vida continue pertencendo a eles.